A Prefeitura da Estância Turística de Barretos realizou nesta quarta-feira, 8, ato solene de Reinstalação do Obelisco da Revolução Constitucionalista de 1932. A transferência foi concluída pela Prefeitura no fim do primeiro semestre, atendendo a requerimento da Major PM Esther Santos, comandante interina do 33º Batalhão da Polícia Militar do Interior. A medida visou colocar em local de maior visibilidade o monumento que rende homenagem aos três combatentes barretenses mortos nessa luta que reuniu sociedade civil e a força pública estadual em defesa da democracia e da constituição que havia sido suspensa no País pelo governo federal. O Batalhão de Voluntários de Barretos contou com mais de 500 participantes.
O prefeito Odair Silva afirmou que a cidade precisa manter sua história. “Há obras que são grandes não pelo tamanho, mas pela representatividade que têm. A intervenção na Avenida Necker, a obra que estamos fazendo na Fraternidade Paulista, o recape que estamos fazendo em bairros da cidade são obras grandes. Mas precisamos olhar também para aquelas que são grandes obras pela representatividade que têm. Esta pequena obra de transferência do monumento tem uma grandiosidade extrema”, disse.
Odair destacou a coragem dos soldados que se colocaram à disposição na Revolução de 1932 em defesa dos interesses do Brasil. “Lutaram pelo interesse daqueles que viriam após a sua partida”, lembrou. O prefeito expressou sua admiração pelo desejo da Major Esther de dar mais visibilidade ao monumento e propôs que cada um de nós, inspirado nesses combatentes, reflita sobre o papel que desempenha na sociedade: “Hoje em dia, muitas vezes as pessoas são convocadas para um mutirão de limpeza ou para arrecadar alimentos e não vão. Cadê o meu olhar para o próximo? Cadê o meu olhar para a história da minha cidade, para aqueles que virão depois?”, pontuou.
A Major Esther observou que ainda não faz cem anos, mas que já se trata de uma história que acaba sendo esquecida se não buscamos perpetuá-la. “Esses homens e mulheres deixaram de priorizar suas vidas para irem brigar pela Constituição, para que a lei fosse mantida”, destacou. “Com o progresso é natural que a cidade se transforme, mas é importante que esse olhar sempre seja mantido. Que esse monumento reinstalado seja também um marco para que os direitos, os valores e todos esses bons preceitos sejam cumpridos e para que toda a sociedade tenha responsabilidade em suas ações”, afirmou.
A historiadora Karla Armani, que foi consultada pelas secretarias envolvidas e acompanhou a escolha do novo local para o monumento, parabenizou a Polícia Militar pela nota divulgada sobre a ocasião e reforçou que a Revolução de 1932 foi uma guerra travada pelo Estado de São Paulo contra todo o Brasil, inclusive o próprio Exército, para trazer de volta a Constituição do Brasil, que tinha sido suprimida pelo governo ditatorial. “Foram mais de 700 jovens barretenses que se alistaram para lutar pela causa paulista. Os anos se passaram e sempre foram realizadas comemorações. Em 1970, o prefeito Cristiano Carvalho teve a iniciativa de construir a Praça 9 de Julho e instalou esse obelisco em homenagem aos soldados que morrem na Revolução de 1932. Muitos não sabem que a primeira-dama, esposa do prefeito Cristiano, Eunice Prudente Carvalho, quando jovem, foi voluntária; ela e a Dona Fiúca abasteciam as tropas dos carros. Foram três meses de guerra e tinha que ser muito corajosa para sair de casa naquele momento”, lembrou a historiadora
“Que bom que nesta véspera de 9 de julho estamos aqui. Como é importante o dia de hoje, em que temos a oportunidade de contar essa história e dar mais nomes à história da Revolução de 1932. Eu agradeço à Prefeitura, agradeço imensamente ao 33º batalhão por essa iniciativa. Que isso se mantenha todos os anos. Precisamos referenciar a memória de quando a sociedade civil uniu-se à força pública do Estado de São Paulo, que é hoje a Polícia Militar, tal qual estamos aqui hoje”, concluiu Karla.
“Talvez o Brasil não tivesse a mudança que teve se não fossem os guerreiros daquele dia”, afirmou o presidente da 7ª Subseção da OAB Barretos, Belisário Neto. Ele parabenizou a todos os envolvidos na iniciativa desse reposicionamento do monumento. A mudança, que foi minuciosamente organizada e operacionalizada, envolveu as Secretarias Municipais de Planejamento; de Obras e Serviços Urbanos e a de Cultura & Economia Criativa, chefiadas respectivamente por André Ponciano, Thiago Vasconcelos e Bruno Bernar. Toda população e turistas agora podem conferir em frente ao Recinto Paulo de Lima Corrêa o monumeto, por meio do qual a Sociedade Veteranos de 1932 MMDC rende homenagem especialmente a Siznando Moreira, Hugo Prado e Fernando Andrade Camargo, os três combatentes barretenses mortos na Revolução.
O presidente da Câmara, Luís Paulo Veira (Lupa), destacou a união de esforços para essa realocação. “Barretos teve importância muito grande frente a esse movimento estadual. No local que esse monumento agora ficou, coloca esses participantes em evidência. Hoje é um marco para a história de Barretos”, afirmou. O vereador Japonês da Caçamba também representou o Legislativo na sociedade.
Unindo reconhecimento histórico e compromisso com o futuro, a solenidade contou com a presença também de crianças que são alunas do ensino infantil na rede pública municipal e de educadores que atuam na Cemei Mãe Comerciária. A tropa da Polícia Militar também esteve presente ao longo de todo o evento.
A solenidade contou ainda com a presença da primeira-dama, Roselaine Silva, de vários secretários municipais e outros representantes das pastas e do SAAE.
Na solenidade, os hinos Nacional e o de Barretos foram interpretados nos acordes da Viola Caipira pelo músico Ricardo Megda. O cerimonial do evento foi conduzido pela chefe de gabinete da Comunicação, Eliana Martins, que utilizava em seu peito a Medalha Dona May de Souza Neves, honraria oficial instituída por decreto estadual destinada a homenagear mulheres, civis e militares, e instituições que prestam serviços de relevância à população paulista e à preservação da memória da Revolução, com a qual Eliana foi agraciada em 2019.
O Capitão PM Leandro Fonseca, chefe da seção de relações públicas do 33º Batalhão de Polícia Militar do Interior do Estado de São Paulo, realizou a leitura da nota alusiva à data magna do Estado de São Paulo, na qual se destacou que o legado da Revolução de 1932 “ultrapassa os campos de batalha e perpetua-se nos ideais de liberdade, justiça e responsabilidade cívica, que continuam a nortear a sociedade brasileira”. Confira a íntegra da nota divulgada pelo 33º BPM/I:
NOTA ALUSIVA À REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932
Há datas que transcendem o tempo e perpetuam-se como símbolos da identidade de um povo. O 9 de Julho é uma delas.
O dia 9 de julho representa uma das mais nobres páginas da história do Estado de São Paulo e do Brasil. Nesta data, rendemos justa homenagem aos combatentes que, em 1932, movidos pelo mais elevado espírito cívico, uniram-se em defesa da Constituição, da legalidade e dos valores democráticos, deixando um legado de coragem, patriotismo e compromisso com a Nação.
A Revolução Constitucionalista de 1932 permanece como um símbolo da determinação de um povo que acreditou na força das instituições e na supremacia do Estado de Direito. Seu legado ultrapassa os campos de batalha e perpetua-se nos ideais de liberdade, justiça e responsabilidade cívica, que continuam a nortear a sociedade brasileira.
A Polícia Militar do Estado de São Paulo, instituição cuja história se confunde com a própria história do povo paulista, orgulha-se da participação de seus integrantes naquele memorável movimento. O exemplo de bravura, disciplina e espírito de sacrifício deixado pelos policiais militares constitucionalistas constitui fonte permanente de inspiração para todos aqueles que, diariamente, dedicam suas vidas à proteção da sociedade.
Ao reverenciarmos essa data histórica, reafirmamos nosso compromisso com os princípios que motivaram aqueles combatentes: a defesa da ordem jurídica, o respeito às instituições, a preservação da paz social e a prestação de um serviço público pautado na ética, na honra e no profissionalismo.
Que o legado da Revolução Constitucionalista de 1932 permaneça vivo na memória de todos os paulistas, fortalecendo os valores da cidadania, da democracia e do amor ao Brasil.
9 de julho de 1932: uma história de coragem, um legado de honra e um compromisso eterno com a Constituição.
33º Batalhão de Polícia Militar do Interior
“Servir e Proteger com Honra, Disciplina e Dedicação.”