Saúde

EFEITO CORONAVÍRUS: O desafio de garantir respirador a todos



Desesperador. É essa a definição do sentimento de não conseguir respirar direito. Quem diz é o aposentado Nivaldo Fernandes de Almeida, morador de Catanduva de 57 anos, que viveu por muitos anos com um enfisema pulmonar, até passar por um transplante em 2018. Desde 2017, era completamente dependente de oxigênio. "Você procura o ar de tudo quanto é jeito e não consegue encontrar. Sai do banho para se enxugar e entra em desespero, parece que o ar não vem, mesmo com o oxigênio", conta. Em 2005, chegou a ficar entubado, mas não se lembra de como foi porque estava inconsciente, devido à gravidade da situação.

O respirador que garantiu a vida de Nivaldo é um dos maiores desafios do mundo durante a pandemia de coronavírus, porque a saúde teme que não existam suficientes caso o vírus se alastre em grande escala. Cada um pode chegar a custar R$ 90 mil, isso quando era possível encontrar. Em Rio Preto, existem 337 no Hospital de Base, no Hospital da Criança e Maternidade (HCM), na Santa Casa, na Beneficência Portuguesa e no Hospital João Paulo 2º, utilizados em UTIs de adultos e crianças. O Austa não informou quantos possui e no Hospital de Moléstias Cardiovasculares (HMC) ninguém foi localizado para conversar com a reportagem.

Em todo o mundo, inclusive no Brasil, pesquisadores estão trabalhando em alternativas mais baratas de respiração artificial e que possam ser produzidas em larga escala, porém não há nada estabelecido ainda. Na Itália, por exemplo, os médicos estão selecionando os pacientes que têm mais chance de sobreviver para receber a assistência, pois não há equipamento suficiente para todos.

São 188 no HB e no HCM, onde estão livres de 40 a 50 deles. Apenas um está ocupado com caso confirmado de coronavírus - os outros são suspeitas, outras síndromes respiratórias e outras doenças. Na Santa Casa, são 48 respiradores, sendo que 26 estão ocupados - um deles com coronavírus confirmado, outro com suspeita de Covid-19 e os outros com outras doenças. No João Paulo 2º, dois dos 15 estão ocupados, mas a expectativa é que a entidade não receba pacientes com coronavírus, para atender a pessoas com outras comorbidades, absorvendo a demanda que não pode ser atendida em outros hospitais por conta da epidemia. A Beneficência Portuguesa não informou quantos de seus 86 estão sendo utilizados no momento.

Quando os pulmões estão inflamados, é preciso que o respirador faça seu trabalho. Com uma cânula, ele leva oxigênio, que é absorvido pelas células, filtrando o sangue. Com outro tubo, leva embora o gás carbônico liberado pelas células. É possível regular a quantidade de gases ao paciente.

Em até 20 dias, deve começar a funcionar o hospital de campanha em Rio Preto, no Hospital Dia, na avenida Philadelpho Gouveia Neto, mas não se sabe com quantos respiradores vai contar. "O Ministério da Saúde confiscou todos os respiradores das fábricas. Quando você entra para pedir preço aparece que eles foram disponibilizados para o Ministério. Só não sabemos quantos virão para cá", afirma Aldenis Borim, secretário de Saúde de Rio Preto. Um paciente pode ficar em média 20 dias - e até mais, dependendo da gravidade - ocupando um leito de UTI.

O médico ressalta que no momento a questão dos respiradores está controlada, mas acredita que essa é uma preocupação real. "É a única alternativa quando tem insuficiência respiratória. Acredito de verdade que não cheguemos a uma falta, fizemos isolamento precoce, separamos unidades para síndrome respiratória. Os Estados Unidos isolaram quando a população estava contaminada", exemplifica.

Dentre os 20 casos de coronavírus confirmados em Rio Preto, nove estão internados, sendo cinco em UTI. Seis dos pacientes são idosos. Há 25 pacientes internados em enfermaria com suspeita de Covid-19, além de nove em UTI. Quatro mortes estão sendo investigadas, de três homens de 43, 79 e 83 anos e uma mulher de 79 anos.


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