Cidades

25 de Agosto



Segundo a tradição, dois afamados desbravadores do sertão da zona Oeste de São Paulo, o alferes João José de Carvalho e seu cunhado, tenente Antônio Francisco Diniz Junqueira, ambos mineiros, vindos de Caldas e Aiuruoca, respectivamente, iniciaram o povoamento da vastíssima região banhada pela parte baixa do Rio Pardo, a jusante da confluência do Mogi-Guaçu, região essa outrora conhecida por “Sertão de São Bento de Araraquara”. 
O alferes João José de Carvalho, logo após a proclamação da Independência do Brasil, tomou posse da fazenda Palmeiras, latifúndio de mais de 1200 quilômetros quadrados, dos quais 700, aproximadamente, constituíam, na década de 50, a maior e melhor porção do município de Colina. 
Nessa mesma época, o tenente Francisco Antônio Diniz Junqueira tomava posse, não só de muitas léguas quadradas de terras de matas às margens direita e esquerda do Rio Pardo, como também da fazenda Pitangueiras, situada em ambas as margens do ribeirão que passava junto ao “Frigorífico Anglo”.
Com esses dois desbravadores do sertão paulista vieram, também, de Minas Gerais, como capatazes, Francisco José Barreto e um irmão, aos quais permitiram, talvez, como recompensas aos seus serviços, tomar posse das terras ao longo e à margem esquerda do ribeirão Pitangueiras, “da beira da mata para cima”, terras essas que denominaram “Fortaleza”.
Em 1845, Francisco José Barreto apossou-se da Fazenda Fortaleza, onde faleceu em 1848 e sua mulher, Ana Rosa, em 1852. 
Em virtude da vontade manifesta de Francisco José Barreto, antes de morrer, seus filhos doaram, por escritura de 25 de agosto de 1854, sessenta e dois alqueires em campos, serrados e culturas da Fazenda Fortaleza, que reunidos a vinte outros alqueires doados por Simão Antônio Marques, da Fazenda Monte Alegre, constituíram o Patrimônio do Divino Espírito Santo de Barretos.
A primeira Capela foi erigida em 1856, servindo de marco inicial do povoado nascente.
A Paróquia do Divino Espírito Santo de Barretos foi criada, ao que parece, conjuntamente com o distrito de paz, por Lei n.° 42, da Assembléia Provincial, de 16 de abril de 1874, confirmada e era canonicamente, por provisão de Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, Bispo de São Paulo, em 2 de julho de 1877, vinte e um anos; portanto, depois da construção da primeira capela e quinze anos depois da primeira missa rezada pelo Padre Manoel Euzébio, em 1862.
Em 10 de março de 1885, pela Lei n.° 22, foi criado o município de Barretos, cujo perímetro circundava os terrenos que constituíam os municípios de Barretos, Olímpia, Colina, Cajobi e parte do de Monte Azul Paulista, numa extensão aproximada de 14.000 quilômetros quadrados. 
A Lei n.° 1571, de 7 de dezembro de 1917, desmembrou-lhe Olímpia a que passou a pertencer o distrito de Cajobi, e as povoações de Icem, Guaraci, Paulo de Faria e Riolândia, todos, na década de 50, emancipados politicamente. 
Depois, pela Lei n.° 2906, de 29 de 1925, Colina foi desmembrada de Barretos, passando, por sua vez, a constituir município. Ficou Barretos reduzido a pequena parte da sua primitiva superfície.
Na década de 50 o município era integrado pelos distritos: Barretos – criado pela Lei n.° 42, de 16 de abril de 1874; Ibitu (Ex-Itambé) – criado pela Lei n.° 1141, de 16 de novembro de 1908 e ratificado pelo Decreto-lei n.° 14334, de 30 de novembro de 1944; Alberto Moreira – criado pelo Decreto-lei n° 14334, de 30 de novembro de 1944, em virtude do Decreto Federal 1202, de 8 de abril de 1939 e Colômbia – criado conjuntamente com Alberto Moreira. 
Pelo Decreto Estadual n.° 9775, de 30 de novembro de 1938, que fixou o quadro da divisão territorial administrativo-judiciária do Estado de São Paulo, o distrito de Barretos foi subdividido em duas zonas que se denominavam, na década de 50, Barretos e Fortaleza.
A cidade foi considerada a "Capital da Pecuária Nacional" e é conhecida atualmente como a "Capital do Country Brasileiro". 
A origem da "Capital da pecuária nacional" devem-se à excelência de suas pastagens, surgida por um acidente da natureza, através de uma forte geada no mês de junho de 1870, "queimando" por conta da intensidade do frio a fechada mata existente. 
Após a geada, no dia 24 de agosto do mesmo ano, dia de São Bartolomeu, a vegetação ressequida foi devorada por um incêndio de grandes porções acabando com a mata fechada existente. 
Com a chegada da primavera e das chuvas, surgiram imensas pastagens naturais, estabelecendo excepcionais condições para a engorda de gado. Fazendas foram estabelecidas e grande contigente foi atraído pelas possibilidades de ganhos que a atividade pecuária passou a propiciar na região. 
A melhoria nas condições de transporte permitiram a ocupação acelerada do território e a consolidação de uma rede urbana que continuamente atraia imigrantes. 
Em 1909 a ferroviária chegou a Barretos e redimensionou o crescimento da cidade. Entrepostos, depósitos e unidades de beneficiamento de grãos foram construídos. 
A disponibilidade de transporte eficiente e a existência de boas condições para o desenvolvimento e expansão da pecuária, permitiram que em 1913 instala-se na cidade a Companhia Frigorífica Anglo Pastoril. Além de suas instalações industriais foram também construídos uma vila operária e um ramal ferroviário às margens do Ribeirão Pitangueiras. 
A infra-estrutura de transporte continuou desempenhar importante papel no desenvolvimento econômico que se seguiu. O asfaltamento da via Washington Luiz e posteriormente a Rodovia Brigadeiro Faria Lima foram fundamentais para a atração de indústrias e novas contingentes migratórios, consolidando não apenas importantes centros urbanos, como Campinas e Ribeirão Preto, mas também centros menores como Barretos. 
Durante muito tempo Barretos foi o centro da pecuária nacional, ocorrendo aqui os vultosos negócios graças à quantidade e a excelente qualidade de seus rebanhos levados à mostra nas exposições de animais e produtos derivados, tendo como palco o recinto Paulo de Lima Correia, inaugurado no ano de 1.945. A cidade ostentou durante muito tempo outro título: vitrina da pecuária brasileira. 
Novas atividades agrícolas foram adquirindo importância durante este processo. Dentre elas, destaca-se a heveacultura e a citricultura, que cresceu na região durante as décadas de 60 e 70. Nesse período assistiu-se também a um intenso processo de modernização da agricultura, expandindo-se a produção mecanizada de grãos, especialmente de soja. 
Nos anos 80 o cultivo de laranja assumiu grande importância e passou a disputar com a cana-de-açúcar a posição de principal produto agrícola regional.
Cidade festeira por natureza, Barretos ainda guarda muitos traços de sua cultura caipira, sertaneja e interiorana. O rico folclore desenvolvido na região tem características peculiares. 
A própria fala do barretense traz um sotaque caboclo, que acabou invadindo a urbanidade aparente. Tradições presentes nas folias de Reis, grupo folclórico, músicas típicas e comida feita no fogão de lenha. 
Atualmente Barretos é conhecido internacionalmente por sediar a Festa do Peão de Boiadeiro. O evento tem hoje grande importância para a dinâmica da economia do município, pois tem permitido o crescimento dos setores ligados ao turismo e à produção de artigos country, com enorme efeito multiplicador em termos de geração de renda e emprego.
(Por dr. Pintassilgo, em Migalhas)


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