Barretos recebe projeto piloto com IA que dá orientações pelo WhatsApp para o dia a dia dos pacientes com diabetes

É a primeira vez que a ferramenta, que já respondeu a mais de 5 milhões de perguntas de usuários, será usada para enviar mensagens para pacientes de uma UBS. A iniciativa experimental será realizada na unidade do bairro Los Angeles
27/02/2026

Cerca de 20 funcionários da equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Los Angeles, na Estância Turística de Barretos, incluindo médico, profissionais de enfermagem e a agentes comunitários de Saúde (ACSs) participaram nesta quinta-feira, 26, de um treinamento conduzido pela equipe da startup Tia Bete. O médico Leonardo Scandolara Junior e o nutricionista Felipe Muller, fundadores da startup, e o nutricionista Lucas Fenerich, que atualmente também integra a equipe da Tia Bete, estiveram pessoalmente neste primeiro encontro com os profissionais da UBS, reforçando informações sobre o controle da diabetes e demonstrando situações práticas em que a Tia Bete auxilia o paciente em seu dia a dia.
Voltada especialmente para pacientes com diabetes, a Tia Bete é uma IA gratuita, que pode responder 24h pelo WhatsApp a perguntas de qualquer pessoa, já tendo respondido a mais de 5 milhões de perguntas feitas por usuários de diferentes partes do Brasil. Para entrar em contato com a Tia Bete, basta enviar mensagem para o Whats dela: (11) 98050-9019. A ferramenta apresenta instruções sobre a quantidade de carboidrato presente em determinado alimento, tira dúvidas sobre como armazenar medicamentos e, mediante o cadastramento da receita do paciente, ela orienta até a dosagem de insulina a ser aplicada conforme o alimento que a pessoa consumiu.
A partir do convite aberto realizado pela Prefeitura de Barretos, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico & Inovação com o edital Sandbox Inova Barretos, para que empresas com soluções inovadoras implantem suas ferramentas em Barretos, a equipe lança no município a primeira experiência de acompanhamento da aplicação da Tia Bete em uma UBS.
“Pessoas de qualquer parte de Barretos ou de qualquer lugar do Brasil podem usar a Tia Bete, você vai lá manda uma pergunta e ela responde. A diferença é que aqui em Barretos a gente vai ter uma Tia Bete ativa, em que ela manda mensagem educativa para o paciente e também para coletar informações, sobre como está a glicemia, perguntando se o paciente tem alguma complicação, se ele está usando medicamento corretamente”, destaca Scandolara. O fundador ressalta que as informações coletadas serão compartilhadas com a equipe da UBS e com a gestão do município, o que permitirá intervenções mais precisas da equipe de saúde da família, melhor percepção sobre estratégias a serem revistas, entre outras possibilidades.
O trabalho está previsto para ser desenvolvido de forma experimental nessa UBS pelos próximos três meses. Nesse período, serão avaliadas também ajustes pelas quais a IA pode passar para melhor atender as necessidades dos pacientes e da equipe de saúde, podendo a partir disso ser expandido para mais unidades da cidade. A UBS do Los Angeles atende atualmente a cerca de 600 paciente com diabetes.
Clélia Adriana Lopes Vianna, coordenadora do Programas de Diabetes e do Programa de Saúde da População Negra, destaca que a adesão do paciente é um passo fundamental para se alcançar melhoras nos índices de controle da doença e um desafio constante para os profissionais de saúde que atuam nessa conscientização. “Acredito que com o Tia Bete vamos abranger todos os perfis de pacientes e levá-los a perceber que não precisa de muita coisa, que qualquer dúvida que eles tiverem será respondida de uma forma mais simples do que imaginam”, ressalta.
A equipe que passou pelo treinamento se demonstrou entusiasmada com a ferramenta após notar a maneira prática como ela responde perguntas feitas de forma simples. Verônica Magalhães Faustino, coordenadora de enfermagem na UBS Los Angeles, vê como positivo o fato de a Tia Bete responder aos paciente pelo WhatsApp. “O acesso do paciente com facilidade à ferramenta foi o maior atrativo para nós. No dia a dia, percebemos que quando ligamos para um paciente ele não atende, mas a mensagem no Whats ele responde. E a Tia Bete vai estar em contato com ele justamente pelo Whats, sem também precisar baixar outro aplicativo, nada disso”, pontua
Verônica destaca que há pouco mais de um ano a equipe da unidade vem reforçando as ações relacionadas à diabetes, a partir da percepção de que os índices de melhora relacionados a doença estavam estagnados. Ela destaca que foi então fornecido um livreto de acompanhamento para os pacientes insulinodependentes e ampliadas as visitas nas residências para conferir o como os pacientes estavam armazenando a insulina. “Com o apoio de alunos da Facisb, desenvolvemos panfletos e fomos às escolas para incentivarmos uma alimentação mais saudável, temos também uma médica e uma farmacêutica na unidade com trabalhos acadêmicos relacionados a diabetes”, afirma. A enfermeira reforça que nesse período melhoras já foram notas, inclusive com pacientes que deixaram de ter a necessidade de usar a insulina e agora estão estabilizados com a medicação por via oral. A expectativa é que com a Tia Bete em ação os índices relacionados a diabetes na unidade melhorem ainda mais.

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