O Brasil vai propor à China a flexibilização das cotas de carne bovina isentas de tarifas adicionais, após o governo chinês anunciar medidas de salvaguarda que limitam as importações. Segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, a ideia é permitir que o Brasil assuma cotas não utilizadas por outros países, como os Estados Unidos, que não exportaram carne bovina à China em 2025.
As negociações serão feitas de forma bilateral ao longo de 2026. De acordo com Fávaro, além de o produto brasileiro ser competitivo e de qualidade, a ampliação das exportações pode ajudar a conter a inflação de alimentos na China, sem prejuízos aos produtores nacionais.
A China estabeleceu cotas específicas por país e aplicará uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que ultrapassarem os limites. As medidas entraram em vigor em 1º de janeiro e valerão até dezembro de 2028, afetando os principais exportadores de carne bovina.
Principal fornecedor do produto ao mercado chinês, o Brasil terá uma cota de 1,106 milhão de toneladas em 2026, que sobe para 1,128 milhão em 2027 e 1,154 milhão em 2028. Em comparação, até novembro de 2025, o país exportou 1,499 milhão de toneladas para a China.
Outros países também terão limites, como Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos. Para o ministro, a cota atual permite avançar nas negociações e discutir uma possível ampliação, caso outros exportadores não cumpram seus volumes.